Nas últimas décadas, o conceito de carreira foi radicalmente modificado. Nos anos 70 ou 80 a carreira significava uma vida de trabalho dentro de uma mesma empresa e geralmente a pessoa tinha o próprio nome associado ao local onde trabalhava, como “Sr. Fulano da Empresa X” ou “Sr. Sicrano da Companhia Y”. A partir dos anos 90, a carreira passou a ser construída a partir da presença de diferentes empregos em empresas variadas ou ainda por meio de projetos independentes. Sendo assim, o emprego não é mais a meta, mas sim a realização como profissional.
A Terapia Biográfica busca o sentido nos diferentes fatos da vida de uma pessoa. No caso da carreira, ela pode revelar o sentido de sua vocação, que significa um chamado, ou seja, ultrapassa o conceito de profissão, podendo até se expressar por uma atividade não profissional. A vocação é o meio pelo qual podemos expressar os nossos propósitos mais essenciais, transformando-os em ações. A profissão pode ser uma forma que a vocação encontra para se expressar, mas ela está mais ligada a uma missão de vida. Assim, uma pessoa pode trabalhar num banco como necessidade profissional e realizar sua vocação fotografando nos finais de semana. Ou realizar a vocação num trabalho voluntário. Contudo, o caminho mais adotado para concretizar a vocação ainda é a profissão.
Como a Terapia Biográfica estuda as fases da vida em períodos de sete, os setênios, esta série de artigos pretende mostrar as influências de cada setênio para a formação da vocação. Especificamente, até os 28 anos, porque é quando termina a fase de formação. Para começar, avaliaremos o primeiro período da vida de uma pessoa.
DE 0 A 7 ANOS
Quando você nasceu, precisava de cuidados e os recebeu de seus pais e das pessoas próximas, que formavam à sua volta uma espécie de ninho de carinho e proteção. Até os 7 anos, a criança é bem dependente dos adultos e o que formará sua confiança é a qualidade dos cuidados recebidos nesta fase. Aliás, essa característica deve ser formada nesse período, já que depois disso só é conseguida através de muita disciplina e força de vontade.
A autoconfiança também é muito influenciada pelos primeiros passos. Quando uma criança aprende a andar, ela cai e levanta várias vezes. Muitas vezes ela se ergue com a ajuda de um adulto, mas o mais importante é que ela saiba que pode levantar quando cair. Se os pais não permitem que ela experimente esse levantar e cair, por medo de que se machuque, ela não desenvolverá a coragem para arriscar na vida. Por outro lado, se ela ganha um andador e sai correndo pela casa, sem fazer o menor esforço, pode desenvolver uma falsa autoconfiança, pois não se baseia nas suas próprias forças. Observe como foi que você aprendeu a andar. Isso diz muito sobre como você age na sua vida.
A principal atividade de uma criança é brincar. As brincadeiras nessa fase não seguem muitas regras, não são jogos. Algumas crianças gostam mais de liderar, outras seguem mais do que lideram. Algumas gostam de brincar com os brinquedos que ganham, seguindo as suas funções originais, enquanto outras optam por inventar brinquedos muito mais originais com as caixas dos presentes. As regras das brincadeiras nessa fase são inventadas pelas próprias crianças e costumam começar com “finge que…” ou “faz de conta que…”
Brincando, a criança desenvolve a criatividade e a capacidade de liderança que aplicará no seu trabalho quando for adulta. E é esta criatividade que permite criar novos negócios, novos produtos, novos serviços ou resolver impasses que nascem quase todo dia diante de nós quando estamos trabalhando. A capacidade de liderar, dividir essa liderança e convencer os seus pares daquilo que você acredita fazem com que o trabalho flua por um novo caminho. Isso pode ser comparado com a época que você decidia as regras do pique com os colegas, até onde valia se esconder, até que número quem estava no pique tinha que contar, quem era café com leite e quem brincava à vera.
Estas são as principais influências da infância à vocação que desabrochará na vida adulta. Aguarde os próximos artigos e aprenda mais sobre os setênios.
PARA CONTINUAR A REFLETIR SOBRE O TEMA
“Workshop Antroposófico: Vocação e Sentido”, de 25 a 27/03, em Ouro Preto (MG)
É comum ouvir as pessoas dizerem com orgulho que têm a mente aberta. Mas o que isso significa realmente? Ao entramos em contato com ideias ou situações novas geralmente somamos nossas próprias convicções, que funcionam como reflexo, checando tudo que nos é apresentado. Podemos fazer uma analogia com um grande quebra-cabeças, comparando as pecinhas (novas ideias e situações) com a foto na tampa da caixa do jogo (nossas ideias preconcebidas). E nos perguntarmos: Será que podemos ir além do que a tampa do quebra-cabeças nos mostra? O mundo se resume à tampa do quebra-cabeças? E se criarmos um novo quebra-cabeças, sem tampa, para nos orientar?
A imagem que o mundo exterior nos oferece muitas vezes pode confirmar nossas crenças, mas o que acontece quando estão em oposição ao que pensamos ou não têm qualquer relação com o que acreditamos? Mesmo sendo capazes de ouvir o outro, nossa tendência é rejeitar de imediato todos os movimentos de não-conformidade com nossa tampa de quebra-cabeças.
Para evitar este julgamento apressado, toda vez que estivermos diante de uma experiência nova, é importante nos mantermos presentes na situação, com os sentidos bem alertas, recebendo o que o mundo externo está apresentando. Evitando interpretações e inferências, tendo uma atitude receptiva – ou contemplativa – seremos capazes de perceber sentidos diferentes dos esperados na nossa tampa de quebra-cabeças.
Um exemplo banal sobre como isso acontece pode ser percebido quando vamos ao cinema. Se antes lemos uma crítica ou entrevista com o diretor explicando os motivos pelos quais realizou a obra, criamos uma determinada expectativa. Mas se resolvemos assistir meio às cegas, sem uma “preparação”, ficamos abertos para as revelações do filme sobre nossos sentidos. A segunda opção proporciona uma experiência mais completa.
Na verdade, após experimentar o que o mundo externo oferece, estando presente sem julgamentos, podemos promover o encontro das impressões dos sentidos com as ideias, com resultados enriquecedores.
Ter a mente aberta, portanto, não significa abdicar de convicções, mas estar presente nas situações novas que aparecem e só depois refletir sobre como elas agem sobre nós. Esta atitude permite um aprendizado muito além de colecionar informações, ajuda a construir um conhecimento a partir do mundo real, e é ainda mais importante na forma como nos relacionamos com as pessoas.
Numa conversa ou discussão, se tudo que ouvimos passa pelo filtro das convicções, não há espaço para o outro se revelar. E se além das convicções, este filtro vier preenchido com nossas qualidades e defeitos projetados no outro, não é possível percebê-lo como realmente é. Mente aberta não significa ausência de convicções formadas, mas saber reconhecer o outro como ser único, com suas próprias certezas. Só assim existe abertura para receber o que o outro traz e, talvez, formar um novo quebra-cabeças, com cores e formas não programadas.
Artigo publicado originalmente na Revista L’Aura.
Marcelo Guerra
Muitas filosofias orientais falam da impermanência das coisas. Assim, aquilo que é de uma maneira hoje, não necessariamente será do mesmo jeito amanhã. Hoje você pode ter estabilidade financeira e amanhã pode se ver completamente sem dinheiro. É o caso dos moradores da região serrana do Rio de Janeiro, que depois do inacreditável temporal de mais de 6h de duração, perderam suas casas e os negócios foram seriamente afetados. Imagine a situação: você dorme tranqüilo, enquanto seus bens estão descendo montanha ou rio abaixo.
No entanto, não só os bens materiais são perecíveis. Os relacionamentos e os sentimentos também podem mudar ou até mesmo terminar. No início de um namoro é comum cada um fazer juras eternas, como se aquela relação nunca fosse acabar ou mudar. Depois de alguns anos, a convivência pode trazer dificuldades a este casal ou as mudanças pelas quais cada um passa podem levá-los a ver a vida de forma diferente, causando obstáculos intransponíveis. Afinal, aquelas promessas não fazem mais sentido, já que as pessoas passaram por transformações e não são mais as mesmas.
A precariedade daquilo que temos como certo é chamada insegurança. E saber conviver com isso é uma arte. Acredito que há forças atuantes em todo o universo que conduzem muitos dos acontecimentos, nos permitindo novas escolhas a cada momento de nossas vidas. O medo nos força a evitar a insegurança através do controle, mas é impossível ter o controle de todas as situações. O controle exagerado leva inevitavelmente à frustração.
O que temos de permanente é nossa essência, muitas vezes encoberta por sombras e por preocupações materiais, mas é aquilo que somos e aparece pelos nossos propósitos maiores na vida. Por isso, as filosofias orientais, mencionadas no início deste artigo, apresentam um único remédio para a impermanência das coisas: o desapego. Para abrirmos mão do controle, é preciso ter confiança de que as forças do universo guiarão nossos destinos. Pode nem ser como esperamos, mas sempre ocorrerá o melhor possível, rumo ao nosso desenvolvimento.
Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia, em um texto muito popular entre os estudiosos desta filosofia, que fala como o futuro pode ser aguardado com serenidade, pela confiança nessas forças que direcionam o universo. Assim, a certeza e a coragem devem andar de mãos dadas, uma conduzindo a outra, para que sejamos pessoas seguras, por mais precárias que sejam as certezas.
“Temos de erradicar da alma todo o medo e o terror do que o futuro possa trazer ao homem.
Temos de adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro.
Temos que olhar para a frente com absoluta equanimidade, para com tudo o que possa vir, e temos que pensar, somente, que tudo o que vier nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria.
Isto é a parte do que temos de aprender nesta era, a saber: viver com pura confiança, sem qualquer segurança na existência; confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade, nada terá valor se a coragem nos faltar. Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites”. Rudolf Steiner.
Artigo originalmente na Revista Personare.
Tecendo a Manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
João Cabral de Melo Neto
Cada um de nós nasce com um destino, não como um livro previamente escrito em que cada ato nosso está previsto, mas como uma missão a nós confiada. Isto faz com que a vida tenha um sentido e, muitas vezes, sofremos com angústia ou depressão por não percebê-lo claramente. Os fatos de nossas vidas estão aí para que encontremos o Fio do Destino que, junto com o nosso livre arbítrio, tece os acontecimentos tanto no nosso mundo interior quanto na nossa vida nas comunidades em que vivemos.
Este curso tem o objetivo de buscar o fio do destino de cada um, desembaraçá-lo, tecê-lo de forma diferente, mais confortável, mais de acordo com o sentido que queremos dar para nossas vidas. Para isso trabalharemos com fatos de nossas próprias vidas. Este trabalho será feito com palavras e arte. Ninguém precisa ser artista ou ter conhecimentos prévios de Antroposofia para participar, é claro.
Muitas das questões que nos colocamos hoje são percebidas de modo diferente quando as situamos no contexto mais amplo da vida toda. A troca de experiências de vida num grupo é enriquecedora e suaviza os sentimentos ligados a essas experiências.
Coordenado por:
- Nina Veiga
Educadora Waldorf e Psicopedagoga artística, mestre em linguagem e cultura.
- Marcelo Guerra
Médico Homeopata e Terapeuta Biográfico.
Onde e quando?
Em São Paulo, no Centro Paulus, de 29 de abril a 1º de maio de 2011.
Quanto?
- R$840,00, em quarto individual;
- R$920,00, em suíte individual.
(O preço inclui os honorários e deslocamento dos coordenadores, os materiais usados durante o workshop, a divulgação, a hospedagem e a alimentação. A inscrição é efetivada com o depósito de R$200,00 e o restante deverá ser pago durante o curso com 4 cheques pré-datados. Não haverá devolução da taxa de inscrição em caso de desistência. Nos reservamos o direito de cancelar o curso se não houver o número mínimo de inscritos.)
Escreva para marceloguerra@terapiabiografica.com.br para mais informações. Ou ligue para (11)6463-6880.
Faça sua inscrição online, clicando aqui.
Conheça tratamentos alternativos para a doença do jogador Ronaldo
Ontem, dia 14 de fevereiro de 2011, o craque de futebol Ronaldo, o Fenômeno, aposentou-se dos estádios, com apenas 34 anos. Soterrado por críticas da torcida corintiana desde a eliminação precoce da Copa Libertadores da América, ele decidiu retirar-se com dignidade.Em seu discurso de despedida, muitos pedidos de desculpa, como se todos tivessem esquecido o genial craque que marcou gols maravilhosos e até improváveis por todos os times que passou, mas principalmente pela Seleção Brasileira de Futebol. A grande crítica contra Ronaldo é que ele está gordo para jogar futebol. Em sua despedida, a revelação: sua dificuldade para emagrecer encontra-se numa disfunção de uma glândula muito importante para o corpo humano, a tireoide.
A tireoide localiza-se no pescoço, geralmente não pode ser apalpada, e produz hormônios que regulam o metabolismo de todo o corpo. Basicamente, o metabolismo é a proporção de produção e destruição de substâncias. Quando temos um metabolismo acelerado, precisamos gerar mais energia para as atividades do corpo, e essa energia é retirada das moléculas de açúcar e gordura que armazenamos no fígado e nas camadas de gordura debaixo da pele. Quando o metabolismo está diminuído, por outro lado, a tendência é aumentar essas reservas de gordura, pois o corpo precisará de menos energia.
O que aconteceu com Ronaldo foi hipotireoidismo, um transtorno que faz com que a tireoide funcione de forma deficiente, diminuindo portanto a taxa de metabolismo, o que causa o acúmulo de gordura e a dificuldade para emagrecer. No hipotireoidismo, além do ganho de peso, há um cansaço constante, um desânimo que se confunde com a depressão, alterações nas unhas e nos cabelos, inchaço geralmente nas pernas, mas que pode acontecer em outras partes do corpo.
AYURVEDA, ACUPUNTURA E FLORAIS PODEM AJUDAR
Na fisiologia da Medicina Ayurvedica, tradicional na Índia e Nepal, a tireoide está relacionada ao chakra da garganta, não só pela sua localização, mas principalmente pelas suas funções de controle sobre toda a atividade. Este chakra é o centro da nossa vontade e sua saúde depende do quão verdadeiramente nos expressamos. A fala é a exteriorização desse chakra, e é por ela que exibimos nossa vontade. A mentira afeta nosso corpo e nossas emoções inicialmente por este chakra. Nossas escolhas têm consequências sobre cada célula nossa. É muito frequente quando não fazemos uma escolha ou temos que engolir uma escolha feita por outra pessoa, sentirmos como se tivéssemos um bolo na garganta. Esta sensação também aparece quando temos que dizer as palavras certas numa situação difícil (nas histórias em quadrinhos, o personagem diria “glup”). A criatividade e a comunicação dependem do equilíbrio deste chakra.
Por ter relação com a vontade, o chakra da garganta pode ser facilmente afetado pela avidez, que seria uma vontade indomada, insaciável. A avidez pode ser por comida, por sexo, por dinheiro, por conhecimento, pela atenção dos outros, por sucesso, por poder, por desenvolvimento espiritual, por saúde, ou por qualquer outra coisa que venha a se tornar foco de nossa vontade sem controle.
Para regular o chakra da garganta é recomendado cantar ou mesmo gritar, e os alimentos mais recomendados são os sucos de frutas cítricas, chá de capim limão ou de erva-cidreira, laranja, limão, kiwi, maçã, pera, pêssego e ameixa.
O tratamento alopático para o hipotireoidismo é a reposição do hormônio que a tireoide não consegue mais suprir adequadamente. No tratamento homeopático, o médico vai buscar o remédio que melhor se adapta ao conjunto de características que o paciente relata na consulta, individualizando o tratamento à reposta que cada pessoa apresenta.
A acupuntura, a terapia floral e o tratamento com plantas medicinais também podem atuar de forma muita benéfica no controle do hipotireoidismo.Com recursos diferentes do convencional é possível aliviar os sintomas tão indesejados que o hipotireoidismo provoca.
Artigo originalmente publicado na Revista Personare.
O Lama Gangchen Rinpoche aconselhou que gravassem e divulgassem esta canção do Bardo. É a reza costumeira para ajudar os mortos nos primeiros 49 dias da passagem. Devemos tocar e rezar com a motivação de beneficiar a todos os mortos nas enchentes.
A oração em tibetano:
OM MANI PEME HUM HRI
OM MANI PEME HUM
TCHION DEN GUIALWA SHI DRO LA TSOG KYEN
BARDO DJIG PE TRANG LE DREL DU SOL
E seu significado em português:
Assembleias de gloriosas e vitoriosas divindades pacíficas e iradas, escutem-me: por favor, libertem (a mim mesmo quando estou rezando para preparar minha própria morte ou os nomes dos mortos quando nesta situação) dos medos da estreita e terrível passagem do bardo.

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